Quinta-feira, pela primeira vez, fui ver um filme em 3D. Péssimo. Meus olhos sangraram; fogos de artifícios saíram pelas minhas têmporas. Mas nada disso foi tão traumatizante quanto o filme: Transformers 3.
Por que, meu deus? Por que surge na cabeça de uma pessoa (que certamente teve alguém que a impedisse de morrer afogada na própria merda) a ideia de máquinas com dilemas maniqueístas? E por que alguém produz uma coisa dessas? Por que esse filme bate recorde de bilheteria? E por que o salto daquela menina não quebrou/o cabelo não assanhou/a maquiagem não borrou? Por que, meu deus?
Não terei essas respostas. E não morrerei por indagações tão banais. Mas não entendo, não entendo... Um dia desses ainda ficarei sucumbirei por causa desses abismos quotidianos.
Dias antes, após longo período sem nada assistir, vi Spartacus, mais de três horas de filme e quando acabou meu coração estava aquecido... ai, ai! Acho que esse tal Transformers durou pouco mais de duas horas e eu quis morrer. Só um pequeno adendo: gastei suados dez reais com o dito filme por causa da dor de cotovelo de um pobre amigo com quem há muito não falava, achei justo um pouco de sacrifício cinematográfico para ajudar uma alma sofrida que me pediu socorro. Eu jamais escolheria aquele troço deliberadamente, a ideia foi da pobre alma enternecida.
Pois bem, como sou uma pessoa que na maioria das vezes tem motivos para não gostar de algo, eis alguns:
1. Não adianta, máquinas são máquinas. Nem o melhor protagonista do melhor filme de todos os tempos vai me provar que máquinas têm sentimentos ou que são humanos ou que podem demonstrar afeto...
2. Odeio traidores e o Optimus Prime é um traidor do movimento (na medida em que ele é máquina e traição é uma coisa iminentemente humana);
3. Seres humanos são patéticos: escravizaram-se desde o início dos tempos, mas quando aparece qualquer outra criatura querendo escravizar todo mundo eles travam uma guerra para que isso não aconteça. Poxa, eles tinham um motivo nobre, o planeta deles, no qual eles eram deuses, estava destruído. Sabemos de casos bem recentes em que países invadem outros países só para buscar um punhadinho das escassas riquezas do país submetido... Patéticos, patéticos...
4. O salto daquela criatura linda (ainda que eu prefira Greta Garbo e Jude Davis) não quebrou: ela correu desesperadamente, caiu de prédio, escalou um robozinho do mal (e colocou ele contra o outro robozinho do mal – estou ficando louca ou isso é estranho? Não, não acho que cinema sobreviva de “estranho” como dizem uns), correu de novo, caiu de novo, puloucorreuescorregoupuloucaiucorreu e o salto estava lá, intacto! Sem contar o cabelo e a maquiagem que permaneceram perfeitos. Nem um arranhãozinho naquele rosto descomunalmente belo...
5. O protagonista me da pena;
6. A Sessão da Tarde tem finais beeeem melhores.
Sabe de uma coisa, estou falando besteira. Não entendo nada desse tipo de filme. E não entendo nada de nada. É bem melhor que me calem os bons críticos.
E Transformers 3 é ruim mesmo. E 3D dá meningite e câncer no cérebro.